domingo, 9 de março de 2008

O trágico dia em que Florbela Tranca, sozinha, tentou encardir a sua brancura

Imaculada brancura sua virtude,
Florbela Tranca sua graça
Desenganem-se! Não querendo ser rude
tinha a cona cheia de traça.

Sentada na torre do castelo
(só descendo uma vez por mês).
Esperava cavaleiro que viesse metê-lo
e que um por um lhe tirasse os três.

Recebia correspondência de Silicónica Prateleira,
sua prima contando centésima segunda penetração.
Frisando não ser sua última brincadeira
muito menos a primeira, a troco de meio dobrão.

Enfadonhada com enfadonha espera,
queria dar iguais notícias à prima.
Nobre pau, quem lhe dera
que lhe subisse a alegria acima.

Tempos a tempos, pedia à criada
que lhe presenteasse com aconchego
lá subia à torre de bandeja preparada
sonhando quando teria sossego.

Florbela rancorosa de prima com tal sorte
grita de sobressalto e a criada espanta.
Pobre mulher tentando manter o norte
tomba, falo de madeira entalado na garganta.

Louca de raiva por tamanha secura
sonhando aterrar em principe tão belo.
Abominando a castidade de vida futura
Solução?Só transpondo as muralhas do castelo.

Sair pelo portão jamais! Semelhante culpa!
E sentença de decapitação não era rara.
Viu-se forçada a cortar a corda da catapulta
em que entretanto de fininho se instalara.

Disparou, apontada a Meca.
Partiu babando-se de fome.
Por cavaleiro se babava a passareca.
Por muito que não soubesse o seu nome.

Quem alucina assim não mente!
O gigante caralho por quem encetou viagem
fitou-o ao longe, uma miragem!
E nele aterrou inconsciente.

Sorrindo, acordou no mastro entalada
sentindo o sangue jorrando em torrente.
E apesar de se sentir consolada
nunca mais cagou decentemente.