Um rei de calças na mão
S. Fornicolau Cueca
Assim o anunciavam
filho bastardo duma queca
Veio ao mundo durante o cerco
Nasceu no calor de Agosto
Cobria a estrela da manhã
Cobria até o sol posto
Era pândega que respirava
por ela passava por tolo
Partiu em santa cruzada
Quando lhe escasseou o consolo
Desconhecida a incontinência do transporte
Rumo a Este buscando a passareca
Pensamento no perfume de pubis
E o cavalo gotejando, c'o a breca!
Estafado e já sem divisa
Para curar cavalo de perna manca
Irmã exilada de uma poetisa,
alcançou castelo de Florbela Tranca
Lá no alto da torre pendia
Tanta tristeza como formosura
Há anos que a Deus pedia
Que alguem lhe encardisse a brancura
Atordoado com semelhante visão
Fornicolau encarnado de loucura
Mandou dizer pelo escrivão
"Ai filha és pura, tão pura"
Desceu ao jardim
Seduzida por semelhantes recados
Fornicolau não subiu mais
pois tinha os colhões pesados
As escadas eram compridas
Desceu-as de par em par
Fornicolau veio da passareca
para a passareca queria voltar
Florbela tombou finda a descida
Pois foi desmesuradamente lesta
Fornicolau p'ra evitar a queda da querida
Levou com uma têta na testa
A porta do meu amor, não abri a nenhum
Disse Florbela com lascívia
Possuído pelo século vinte e um
Fornicolau disse que trazia nivea
Na indecisão "se a tire se a meta"
Com a espada em riste a feriu
Sangrou dias a fio
Fractura exposta da greta!
Fornicolau não suportou
A dor de rasgar sua amada
Pôs-se a cavalo e nada mais montou
retornou à antiga morada
Nove meses esperou, inchada
E nada aconteceu
Um mês depois a mãe mal sentada
Deu um traque, nasci eu!
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1 comentário:
Vós sois, sem a menor sombra de dúvida, cavaleiros da mais alta qualidade. Um abraço sem penetração dos vossos amigos:
www.enfartedomiocardio.blogspot.com
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