Cavalgando seu corcel sem parar,
D. Sardão segue, apenas de bermudas.
E sente o cheiro longínquo no ar
A suor morno e ratas peludas.
Curva com força a seguir aos sinais,
Nem Deus nem o Demo podem pará-lo,
Seu hálito é a sucos vaginais,
Seu tesão já incomoda o cavalo.
No alto de uma árvore, porém,
A Lei tem um vigilante, patife,
Numa Stop o xerife o detém,
D. Sardão tem que mamar o xerife.
Não é razão para desanimar.
Confiante no cheiro que ainda sente,
Pica o cavalo e põe-se a gritar
Com a boca ainda meia dormente.
Lá seguem num galope meio manco,
O melhor que consegue o cavalo.
É que o xerife subira a um banco
E acabara também por enrabá-lo.
Mas Deus é grande e quem busca alcança.
(E D. Sardão era maior que Deus:
A de Deus comparam-na a uma lança,
A de Sardão nem cabe em museus.)
Chegado ao Castelo Prometido,
Entrar é fácil, conhece a porteira,
Já lá o tinha uma vez metido,
Lembrava-se, fora em dia de feira.
Por fim, em correrias desabridas,
Chega ao grande salão, teso e feliz -
Quinhentas e três donzelas despidas:
São todas fufas, nenhuma o quis.
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