segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Mil duzentos e troca o passo, sexta à noite, algures

Cavalgando seu corcel sem parar,
D. Sardão segue, apenas de bermudas.
E sente o cheiro longínquo no ar
A suor morno e ratas peludas.

Curva com força a seguir aos sinais,
Nem Deus nem o Demo podem pará-lo,
Seu hálito é a sucos vaginais,
Seu tesão já incomoda o cavalo.

No alto de uma árvore, porém,
A Lei tem um vigilante, patife,
Numa Stop o xerife o detém,
D. Sardão tem que mamar o xerife.

Não é razão para desanimar.
Confiante no cheiro que ainda sente,
Pica o cavalo e põe-se a gritar
Com a boca ainda meia dormente.

Lá seguem num galope meio manco,
O melhor que consegue o cavalo.
É que o xerife subira a um banco
E acabara também por enrabá-lo.

Mas Deus é grande e quem busca alcança.
(E D. Sardão era maior que Deus:
A de Deus comparam-na a uma lança,
A de Sardão nem cabe em museus.)

Chegado ao Castelo Prometido,
Entrar é fácil, conhece a porteira,
Já lá o tinha uma vez metido,
Lembrava-se, fora em dia de feira.

Por fim, em correrias desabridas,
Chega ao grande salão, teso e feliz -
Quinhentas e três donzelas despidas:
São todas fufas, nenhuma o quis.

Sem comentários: